top of page

Se der um mapa, quem nos acha?

há 1 dia
3 min de leitura

Texto por: Josué Matheus.

Revisão: Fijó.


Da esquerda para a direita: Os candidatos Anthony Garotinho, Douglas Ruas, William Siri e André Marinho, e a jornalista Adriana Araújo na Band. Foto: Lucas Figueiredo/Band.
Da esquerda para a direita: Os candidatos Anthony Garotinho, Douglas Ruas, William Siri e André Marinho, e a jornalista Adriana Araújo na Band. Foto: Lucas Figueiredo/Band.

No domingo (09/08), tivemos o primeiro debate entre os pré-candidatos ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Assisti ao debate tanto para saber quem são os candidatos e suas propostas, tanto para saber se eles iam fazer uma coisa em específica: citar a Baixada Fluminense. E não, não citaram. A não ser que você considere que o candidato André Marinho (NOVO), citando a Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, cita inadequadamente o município de Nova Iguaçu.


Antes de começar o debate, eu achei que essa “pesquisa” minha seria distante da realidade. Isso porque, quando se fala em debate, se falar em governar para o macro. As propostas são vigentes para todo o Estado. Mas durante o debate televisionado, tive uma leve impressão de que talvez não fosse algo tão distante. 


Não vou listar todos os pontos do Rio de Janeiro que eles citaram, mas falaram da Zona Sul, Zona Oeste, Copacabana e Ipanema.

E nada de BXD.


Talvez, novamente, por debater o macro e todo o Estado, citar a BXD não seja sempre algo tão necessário. Mas me pego para pensar em:

Como falar de mobilidade e não citar a Baixada? Como falar de segurança e não citar a Baixada? Como falar das áreas afetadas pelo crime e não citar a Baixada?

Como alguém consegue falar de melhorias para o Rio de Janeiro e não citar como os 13 municípios do território baixadense serão beneficiados?

Integração do BRT com a Baixada por meio do Terminal Margaridas vira moeda política nas Eleições de 2026 para governador do estado do Rio de Janeiro. Foto: Erica Martin / Agencia O Dia.
Integração do BRT com a Baixada por meio do Terminal Margaridas vira moeda política nas Eleições de 2026 para governador do estado do Rio de Janeiro. Foto: Erica Martin / Agencia O Dia.

Quero citar Paulo Freire[1] aqui para discutir sobre como totalizam nossos problemas e não debatem de forma séria como resolver. Não só como resolver, apresentar, planejar e avaliar os projetos que entram em vigor e tem suas peculiaridades nas regiões da Baixada Fluminense

“Mais uma vez é imperiosa a conquista para que os oprimidos realmente se convençam de que estão sendo defendidos. Defendidos contra a ação demoníaca de ‘marginais desordeiros’, ‘inimigos de Deus’, pois que assim são chamados os homens que viveram e vivem, arriscadamente, a busca valente da liberdade dos homens.” (FREIRE, 1987)[1]

Ano eleitoral.

Falar disso na BXD é quase um tabu.

Tabu não, um mito ou um evento de muita importância, mas que acaba passando sem marcar nada, sabe? Acho quase igual uma tarde do dia 1º de janeiro de todo ano. Você sente a importância, mas ok, o que vem depois?


Particularmente, acho pior, porque em 1º de janeiro ainda temos a leve ilusão das nossas atitudes refletidas.


Já o ano de eleição, temos a falsa sensação de coletivo que busca algo melhor, mas que nunca é atendido. Ou raramente. Ou depende do quanto você tem de influência para isso, se sua área é influenciada por poderes paramilitares que "permitem" (ou não) que os direitos cheguem até você ou se o único direito que temos é do estado com uma arma apontada


Voltaremos a ser citados ou podem nos generalizar?

"Afago", por RaH BXD e produção de Buzu. Vídeo: YouTube / RaH BXD.

Refs de Cria:

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.


josué matheus


Josué Matheus é cria de Venda Velha, São João de Meriti, jornalista, fotógrafo e ativista.




Comentários


rodape bxd in cena
  • Instagram
  • Twitter
  • Youtube
  • TikTok
bottom of page