top of page

Slam da Seda: Expansão da cultura seropedicense a partir da poesia marginal.

há 2 horas
4 min de leitura

Texto por: Isis Cardoso.

Revisão: Fijó.


Ocupando a Sala de Cultura Eugênia Fernandes Matias Vale, na UFRRJ Campus Seropédica, a edição que finalizou a temporada 2025/2026 do Slam da Seda coroou uma trajetória de pouco mais de um ano de atuação cultural no município. Foto: Divulgação / Coletivo Encurta Distância.
Ocupando a Sala de Cultura Eugênia Fernandes Matias Vale, na UFRRJ Campus Seropédica, a edição que finalizou a temporada 2025/2026 do Slam da Seda coroou uma trajetória de pouco mais de um ano de atuação cultural no município. Foto: Divulgação / Coletivo Encurta Distância.

Seropédica, município da Baixada Fluminense, abriga uma população de mais de 80 mil habitantes segundo o Censo de 2022. O nome da cidade, “lugar onde se cultiva a seda”, se origina dos tempos do Império brasileiro - quando havia no local a Fazenda Seropédica do Bananal, onde se produzia seda no século XIX[1]. Dela, surgiu mais tarde a Imperial Companhia Seropédica Fluminense e, em homenagem a esse legado, se instituiu na cidade o Slam da Seda.


O Slam da Seda é uma batalha de poesia falada que surgiu no final de 2025, como mais uma ação do Coletivo Encurta Distância. A idealização do projeto partiu de Amanda Trovão que, já atuante no cenário de Slams, sentiu uma necessidade de trazer essa cultura para a cidade de Seropédica. A edição de final de temporada aconteceu no dia 12 de setembro de 2026, tendo início às 15h na Sala de Cultura Eugênia Fernandes Matias Vale, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Campus Seropédica.


Apesar do Encurta Distância já estar construindo uma forte atuação cultural no território tendo o graffiti como foco, a intenção do coletivo era expandir as atividades e trazer outras linguagens de arte, abordando novas formas de se fazer cultura valorizando o território a partir da inquietude do fazer artístico.


Embora o espaço público da UFRRJ seja bastante utilizado, o coletivo pretende tornar o Slam da Seda um evento itinerante no município. Muito disso se dá pelo fato de as ações do Encurta terem começado enquanto os idealizadores Douglas Mendonça - conhecido como Dougz - e Amanda Trovão moravam no alojamento estudantil, e também por acreditarem que promover cultura dentro do campus da UFRRJ é uma forma de integração real entre universidade e seropedicenses de maneira efetiva, não só no discurso. Lá, são recebidos artistas baixadenses e de outras regiões, não-estudantes, proporcionando assim a aproximação da sociedade com a academia através de um olhar não elitizado, com recursos do coletivo, sendo integrado por estudantes e egressos negros e periféricos.


Vale lembrar também que, apesar da grande população e de abrigar a universidade federal que possui o maior campus horizontal da América Latina, Seropédica é um município apagado, tanto na região metropolitana quanto na Baixada Fluminense. Isso faz com que a produção cultural em Seropédica atraia olhares para a cidade como mais que um ato de resistência, mas também como um grito de existência.


“Seropédica precisa ser vista, não mais apagada. As pessoas precisam entender que aqui já é um pólo de cultura e conhecimento, que pode ser muito maior com mais investimentos e integração territorial. Muitos nem sabem que a UFRRJ existe, por exemplo. Já rola um distanciamento entre o município e a universidade, o que isola a população seropedicense do acesso à educação e outros tipos de cultura para além de cavalgada e festa de cunho rural mais tradicionais. Essas formas culturais têm sua importância, mas não representam toda a diversidade da população. É preciso investir em outras formas de arte e cultura, principalmente que reforcem o pensamento crítico e a consciência social”. - Dougz e Amanda Trovão, idealizadores do Coletivo Encurta Distância e do Slam da Seda.

Esta é a primeira temporada do Slam da Seda (2025-2026). A primeira edição seria realizada em outubro de 2025, entretanto, acabou acontecendo em novembro de 2025, já marcada pela crise climática que assola os municípios da Baixada - e em Seropédica não seria diferente.


Já em 2026, o Slam da Seda explorou diversos formatos e colaborações. Desde o quadroVerso Fino” nas redes sociais, um feat. com o Slam Caju na 2ª edição da temporada, a terceira edição em formato online até chegar, mais recentemente, ao evento “Três Slams Demais” em parceria com o Slam da Rampa (Paracambi) e o Slam Afro-Afeto (itinerante). O Slam da Seda também foi apoiador do Festival IntegralizArte, mas infelizmente o dia do slam foi atravessado novamente por questões climáticas e o dia acabou sendo cancelado.


Para a edição de fim de temporada, o coletivo Encurta Distância contou com parcerias locais, construindo relações muito importantes, como por exemplo o Ilê Asé Omi Gbonã, um ponto de cultura que constrói também a Caminhada Pela Liberdade Religiosa anualmente e recentemente, o Festival Coisas de Preto. Estes ajudaram com o equipamento de som e a alimentação no dia da final, produzido pela Cozinha Omi Gbonã. Além disso, o evento contou com parceria audiovisual com A Firma e Nalu Ruavera, planejamento de comunicação sob a batuta de Amanda Trovão que também coordena produção executiva e relações públicas junto a Tayo e a direção criativa de Dougz. Como todo encerramento de um ciclo, a expectativa e a emoção estiveram altas até o final do evento, considerando o momento da colheita dos frutos plantados ao longo desse último ano, além de ser a primeira vez que Seropédica terá representação no Campeonato Estadual de Poesia (SLAM RJ).


Para a próxima temporada, o Encurta Distância alça voos ainda mais altos com o Slam da Seda. O coletivo planeja unir mais a história da cidade com a cultura do Slam e seu aspecto literário, formar e descobrir novos poetas, atuando em espaços de educação e cultura da cidade, atrair novos produtores culturais para serem slammasters e buscar parcerias com outros espaços da cidade para realizar edições. A necessidade de investimentos e garantia de recursos se mostra como um desafio a ser vencido, afinal, o trabalho independente e coletivo é importante, mas é igualmente importante ver o reconhecimento e valorização de toda a equipe pelo trabalho impecável realizado em prol da cultura local e, consequentemente, da Baixada Fluminense.


Refs de Cria: [1] BRAVA BAIXADA. Seropédica. Brava Baixada, [s.d.]. Disponível em: https://bravabaixada.com.br/municipios/seropedica/. Acesso em: 17 set. 2026.



isis cardoso

Isis Cardoso é estudante de Relações Públicas (UERJ), cantora, compositora e diretora musical. Atualmente, atua como artista solo sob a alcunha SCAR, co-dirige os shows de Aryelle e Capelloni e desenvolve a pesquisa “Match com Força: O efeito da plataformização das relações afetivas” como trabalho de conclusão de curso.

Comentários


rodape bxd in cena
  • Instagram
  • Twitter
  • Youtube
  • TikTok
bottom of page